Flor da Saudade [1]
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Numa carta de 3 de Janeiro de 1926, em post-scriptum, Guilherme de Faria pede a Manuel de Castro: "E eu, como estás aí no campo, peço-te que procures uma flor chamada Saudade e que a desenhes ou peças à Emilinha o enorme favor de a desenhar, com o seu talento. Se ela algum dia se dispuser a fazer a capa do meu futuro livro, que faça um friso de saudades estilizadas, ou de qualquer forma, que eu muito, e muito e muito lhe agradeço!"
Com efeito, o livro Saudade Minha, impresso no dia 7 de Maio de 1926, tem na capa a 'flor da saudade' que passa então a ser o ex-libris do poeta, presente nas capas dos seus livros e no seu jazigo, no Cemitério dos Prazeres. A "flor chamada Saudade" é uma flor muito comum em Portugal no século XIX, utilizada como elemento decorativo nos cemitérios.
Percebe-se que Guilherme pretende timidamente que seja Emília de Castro a desenhar a 'flor da saudade', o que guarda um certo dramatismo: o poeta deseja que a mulher na qual projecta o seu amor desenhe o seu ex-libris, que tem iniludivelmente uma conotação fúnebre. Emília desenhou a 'flor da saudade' e Guilherme, no exemplar de Saudade Minha que lhe dedica, escreve: "À Emilinha, com a maior simpatia e mil agradecimentos pela sua saudade que é o único e maravilhoso encanto deste livro."

Numa carta de 3 de Janeiro de 1926, em post-scriptum, Guilherme de Faria pede a Manuel de Castro: "E eu, como estás aí no campo, peço-te que procures uma flor chamada Saudade e que a desenhes ou peças à Emilinha o enorme favor de a desenhar, com o seu talento. Se ela algum dia se dispuser a fazer a capa do meu futuro livro, que faça um friso de saudades estilizadas, ou de qualquer forma, que eu muito, e muito e muito lhe agradeço!"
Com efeito, o livro Saudade Minha, impresso no dia 7 de Maio de 1926, tem na capa a 'flor da saudade' que passa então a ser o ex-libris do poeta, presente nas capas dos seus livros e no seu jazigo, no Cemitério dos Prazeres. A "flor chamada Saudade" é uma flor muito comum em Portugal no século XIX, utilizada como elemento decorativo nos cemitérios.
Percebe-se que Guilherme pretende timidamente que seja Emília de Castro a desenhar a 'flor da saudade', o que guarda um certo dramatismo: o poeta deseja que a mulher na qual projecta o seu amor desenhe o seu ex-libris, que tem iniludivelmente uma conotação fúnebre. Emília desenhou a 'flor da saudade' e Guilherme, no exemplar de Saudade Minha que lhe dedica, escreve: "À Emilinha, com a maior simpatia e mil agradecimentos pela sua saudade que é o único e maravilhoso encanto deste livro."


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